quinta-feira, março 08, 2012

Diário de um Distraído / Despassarado

 

memória

Introdução

Tenho vários enormes montes de papéis e livros para ler e arrumar que não faço ideia o que sejam. Já tentei organizá-los e consegui. O resultado… foram outros enormes montes de papéis e livros.

Recentemente comprei um livro de auto-ajuda “Organização de Papeis e Livros Para Idiotas”. Estou convencido que vou conseguir resolver o problema… logo que descubra em qual dos montes de está o livro.

ACTO I

-Estou… quem fala?

-(…)

-Como estás?

-(…)

-Claro que sim!

-(…)

-O que foi que perguntaste?

-(…)

-Sim! Claro que sim!!

-(…)

-Pois!

(…)

-Foi isso que eu respondi? De certeza?

-(…)

-Pois.. pois.

-(…)

-Espera… Quem é que fala?

… … …

ACTO II

Sempre que estou aborrecido, o tempo parece que não passa; quando me interesso por alguma coisa o tempo passa a correr ou pior… não tenho tempo.

Mas que interessa isso… o tempo é relativo e Eu por vezes perco a noção de “tempo”. Os anos parecem passar sem que note e os dias arrastam-se.

Os amigos por vezes protestam por não os contactar durante muito tempo, mas que diabo, eles podiam contactar-me a mim!

Ligaste-me? Quando??

-(…)

Ah.. Pois… Então eras tu ao telemóvel!

-(…)

ACTO III

-Estava a preparar-me para escrever “isto” na precisa altura em que começou na televisão um documentário que queria muito ver e foi quando me lembrei que nem o gato nem eu tínhamos jantado e o telemóvel tocou. Atirei o jantar para dentro do forno e fui atender. Enquanto falávamos fui lendo o correio e devo ter-me distraído por isso desliguei.

Por falar nisso… Eu disse jantar ou gato no forno????

-(…)

-Não, não sabia que tinhas voltado a casar!

-(…)

-Convite? Qual convite?

-(…)

-Pois… sabes? Os tais montes de papeis….

-(…)

-Padrinho? Minha irmã?

……..

EPÍLOGO

Desde tempos de que já nem me lembro que sou distraído. Isto é o que me dizem pelo menos os amigos de que me vou lembrando e outros amigos que tenho a sensação que não conheço. Mas acabo sempre por me lembrar onde deixei as coisas que perco. O mais estranho… é que quando vou ao local onde tenho a certeza que ficaram não é lá que elas estão.

Por vezes perco objectos como a carteira ou as chaves de casa. A carteira foi-me devolvida pelo correio quase um ano depois. Agora, basta-me encontrar as chaves para poder abrir a porta de casa e a caixa de correio.

 

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